Vermes!

Vermes por toda parte!

Sim, em sentido figurado.

Na política.

No dia-a-dia. Sim, também no dia-a-dia. Foi-se o tempo em que se acreditava que os políticos seriam perversos, devassos, e teriam outras taras, mas o povo seria íntegro.

Não, quando as instituições se corrompem, todo o organismo (a sociedade) adoece.

Está um caos.

E, como o espírito está deprimido, os vermes aproveitam.

O blog, que estava às moscas (insetos repugnantes), de uns tempos foi infestado por vermes (worms, spams, coisa assim).

Cheguei a pensar que o post tão visitado pela praga tinha algum texto que os atraía.

Pareceu-me improvável. Contudo, não entendo muito de websemântica, essas coisas.

Mas quem sabe se eu postar alguma coisa…

Bem, aí vai.

Ainda não fui vencido. Vou reagir. Estou reagindo.

As bestas-feras estão soltas

Pois é.

Condução coercitiva de blogueiro-ativista de esquerda, que teria repassado informações sigilosas para o ex-presidente acusado de corrupção (ainda não provada, apesar dos esforços titânicos e tirânicos).

Posse na corte máxima de notório plagiador, violento, achacador.

Reforma da previdência e da legislação trabalhista, sob o pretexto de tornar o país competitivo.

Investigação espalhafatosa da cadeia de processamento e exportação da carne.

Votação de projeto de lei autorizando a terceirização irrestrita dos contratos de trabalho.

E agora, por fim, a demonização dos correios.

O fim do mundo chegou.Mas pode piorar: como se diz, O fundo do poço tem m alçapão.

Tloc tloc tloc

Lembro-me agora (e recorrentemente) de uma crônica de Drummond.

Na crônica, ele precisava escrever algo para publicar no jornal.

Mas as ideias não apareciam. O texto não fluía. Tentava se concentrar, se desesperava, e nada.

Quanto mais insistia, mais disperso ficava. E na dispersão, acabava reparando no movimento da rua (será que morava em apartamento?).

E uma garota passou a chamar-lhe a atenção: usava tamanquinhos. E passeava tranquilamente na rua, meio que desfilando.

Nada de surgirem as ideias para a crônica. E a garota desfilando com os seus tamancos marcando o passo: tloc tloc tloc.

E o desespero crescendo. E a garota desfilando tloc tloc tloc (será que estava de paquera? parece ser um bom motivo para desfilar um “look” modernoso, com tamancos ruidosos, e provavelmente chamativos, coloridos talvez).

E nada de texto, enredo, leitmotiv, drama, comédia, e essas coisas. e a garota desfilando tloc tloc tloc.

Não sei, mas parece que Drummond via inocência na garota (tomara), mas desfilar assim, por horas a fio, é estranho?

Ou será que o tempo se arrastava por conta da angústia do poeta/cronista?

Será?

Pode ser.

O fato é que a crônica saiu. Diferente. Leve.

Falta de assunto também é assunto, às vezes.

Escrever…

Pois é, acessei o blog para moderar um comentário.

Parece que foi mais um spam, embora me parecesse técnico.

Bem, e aqui estou — escrever!!

Mas escrever o quê??

Me veio à memória de uma crônica de Drommond: “Hellip; e a garota caminhando, tloc, tloc…”.

Mas sabe, eu não sou Drommond. Sou simplesmente um sertanejozinho disperso, meio preguiçoso.

Bem, vamos lá.

O trabalho está se acumulando na minha mesa.

Quer dizer, não está-se acumulando — Na verdade, não está fluindo. O que chega por agora, sai. Mas alguns de dias atrás, permanecem, teimosamente. Que inferno!

Porém, retomando Sartre, o inferno são os outros. Logo, para os outros o inferno também pode ser eu. Caramba!

Ok, estou enrolando. O inferno quem criou fui eu. E tenho que administrá-lo, antes que ele me devore.

Vai passar!

Tábuas esparramadas no meu quintal, e a ideia de, usando-as, construir uma mesinha, uma caixa de ferramentas, um armário, e que tais. Talvez criar algo de marcheteria.

Comprei formões, plaina, tupia, serrote, serra tico-tico… e nada.

Disse para mim agora à noitinha: amanhã, viu!

É, quem sabe?

Como criar um chefe?

É simples: basta umas colheradas (muitas!!!) de vaidade, uma boa dose de frescura, e: Voilà!

Taí o CHEFE!

Gostou?

Eu, não.

Estou experimentando este ‘manjar’.

E como diz aquele dito popular, ‘quem nunca comeu mel, quando come se lambuza’.

É inteligentíssimo, fresquíssimo, modestíssimo, e por aí vai.

E tão preocupado com a coisa pública!!!!!

Virada

Às vezes eu penso se as mudanças são realmente boas coisas, ou se a vida devia ser aquela previsibilidade.

Sério. Me causa uma angústia a possibilidade de mudanças drásticas. A simples possibilidade de mudanças. Os indícios de mudança iminente me dão cólicas.

Tudo bem, eu já ouvi que os chineses têm o mesmo ideograma para descrever ‘crise’ e ‘oportunidade’.

É, eu mesmo já repeti isso.

Sim, eu desejei mudanças no status quo. E desejo-as ainda.

Mas, caramba! Eu estou ansioso! Tenso!

Pérolas reacionárias.

Na fila do supermercado.

Ontem, saí para comprar leite para a minha mãe. Leite desnatado.

Aproveitei para comprar mais coisas, e já estava chateado quando enfim cheguei à fila dos caixas.

Como sempre, um zigue-zague para escolher em qual o caixa eu me despacharia. Perdi posição nas três filas não preferenciais disponíveis.

Fazer o quê? Sou assim, disperso.

E o ‘diálogo’ entabulado na fila à esquerda me chamou a atenção.

Um ‘gaúcho’, que antes eu cheguei a pensar se tratar do dono de um restaurante que frequento às vezes, estava discorrendo sobre sua ‘civilidade’.

Ouvi, como todos ouviram, pérolas como: “não tem ninguém que queira trabalhar numa fazenda“; “recebem a bolsa-família, e ficam na vagabundagem“; “mas essa mamata vai acabar loguinho”.

Me deu vontade de prolongar o ‘diálogo‘ com o ‘gaúcho‘, mas como de regra me reprimi.

Ainda assim, as perguntas vieram bem claras: “e o senhor, aceita trabalhar em fazenda? digo, fazer o trabalho pesado de fazenda?” “ah, então o senhor a herdou?” “o senhor está disposto a pagar para os ‘candidatos‘ valor equivalente ao da bolsa-família?”; “topa trabalhar em troca do equivalente à bolsa-família? eu tenho lote pra ser capinado“; “mamata pra quem?”.

Bom, dizem que não é saudável discutir com reacionário.

Mas a frustração persistiu.

Ora, bolas!

De qualquer forma, minha mente crédula me bombardeia incessantemente com perguntas incômodas:

— Há quem realmente deixe de trabalhar pela bolsa-família?

— Quanto paga esse benefício, atualmente? O salário mínimo? Certeza?

— Sério que tem gente que se satisfaz com o salário mínimo? Um salário mínimo para cinco, seis pessoas? Ou até mais?

— Se você, fazendeiro, ou cidadão classe-média, não encontra quem esteja disposto a fazer para você o trabalho penoso pelo tanto que você se propõe pagar, então o problema é da bolsa-família?

— E se eu defendesse que o problema é justamente a miséria que tipos como você se propõe pagar pelo trabalho que você não se anima a realizar? Isso quando paga, tantas são as notícias de trabalhadores reduzidos à condição análoga à de escravos — coincidentemente, fortemente concentrados no campo.

E aí. Vamos discutir por que não se encontram com facilidade trabalhadores braçais informais para as lides das fazendas? E ‘empregadas‘ domésticas, idem?

Se não está disposto, ó reacionário, aqui vai um conselho bem ‘nordestino‘: boca-de-siri, folgado!

Oi e Tchau!

Só pra lembrar: segunda-feira saio atrasado para o trabalho (coisa rara!).

E lá na praça, já bem perto da repartição, ouvi:

Começou a temporada de propaganda política, partidária, eleitoral!

Era um só carro de som (que eu pude distinguir de onde estava).

Mas estava lá.

Nos aporrinhando.

Dia memorável!

Hoje foi eleito pela Assembleia Legislativa o novo Governador do Tocantins.

Um acontecimento e tanto! Parou o Tocantins! (Ih! foi mal, hoje é domingo, rs)

Como esperado, o Presidente da Assembleia quando da “dupla” renúncia foi o consagrado.

Nada de extraordinário, pois essa pessoa era (e sempre foi) a escolha do RENUNCIANTE.

Mas ter de ouvir um deputado escrutinador (cretinador?) abrir a boca para denunciar a “indignação dos adversários em proveito próprio” foi de lascar.

Ora, pombas! Qual o parlamentar tocantinense (fiquemos por aqui) que inicia algum projeto em benefício de terceiros? Faça-me o favor!

Preguiiiçaaa!

Caramba!

O blog está às moscas!

Também pudera: dá um desânimo escrever…

Ideias para escrever tem aos montes; mas o cérebro vem se acostumando com a baixa atividade, e fica muito penoso começar alguma coisa.

Ainda quis registrar um comentário em um blog que eu costumo ler: 48 horas depois de ler o post, eu tive a ideia perfeita (do meu ponto de vista) para comentar um comentário impertinente. Mas faltou iniciativa, e a oportunidade se esvaiu.

O caso foi o seguinte: uma jornalista, que se deu o título de socialista morena, publicou um post falando das transformações que nosso organismo sofre gradativa e inexoravelmente a partir dos quarenta, essas coisas.

Os comentários, como esperado, foram de reconhecimento, pois esta sensação de “desidratação” acomete a todos, mais dia menos dia.

No entanto, um desavisado vai lá e tasca um “você pode apresentar um exemplo de país socialista onde o povo tem qualidade de vida?”, ou algo assim. A isso, a blogueira redarguiu: “só vou manter o seu comentário para que os demais leitores vejam o nível”, e o blogrol prosseguiu.

Pois é, como eu disse, quarenta e oito horas depois eu pensei no texto certo para espicaçar o comentarista inoportuno. Iria trazer uma das várias ‘fábulas’ do Camonge (Camões), tão decantadas no sertão do Nordeste na minha infância.

Ia comentar que, segundo a tradição oral, Camonge fora interpelado pelo Rei (um tipo chato, que tinha como objetivo de vida colher seu súdito em contradição — e talvez justiçá-lo por isso), para que respondesse qual a forma que o ovo era mais gostoso.

A resposta: “cozido, Majestade!”

Nada mais lhe fora perguntado. E cada um seguiu seu rumo.

Passado mais de um ano, se encontram novamente (provavelmente, em decorrência de uma visita dos súditos ao monarca).

No decorrer da audiência, ouve-se um alarido de cães: a matilha real estava agitada, e o rei mandou que Camonge fosse ver com o que os cães estavam excitados.

Ordem dada, ordem cumprida. Na volta, a pergunta: “com o quê, Camonge?”

E a resposta, altaneira: “com sal, Vossa Majestade!”

Pois é, na minha ótica, o comentarista perdera o compasso, e só se justificaria arguir sobre qualidade de vida no socialismo em um texto que falava da degradação das potencialidades físicas se o objetivo fosse o mesmo do monarca invejoso da retórica do ‘caolho’.

Entretanto, perdi a oportunidade. Paciência.