Fluxograma

Como se faz um fluxograma?

Boa pergunta.

Pois é. A Chefe da Repartição requisitou do grupo de que eu participo a elaboração de um.

A ideia é boa: Fazer com que os documentos — processos inclusive — cheguem ao Centro de decisões já com uma sugestão de decisão, em vez de seguirem direto ao centro de decisões, que os repassaria aos setores “para providências”, e às vezes a setores que não teriam como deliberar sobre o problema posto.

Muito bem. Mas e aí: como se elabora um fluxograma?

Boa pergunta!

Até onde?

Médicos boicotando laboratórios que teriam manifestado apoio à Presidenta reeleita.

Médicos, também, sugerindo a castração (em massa) química de nordestinos, e de forma mais abrangente, de eleitores e simpatizantes do Partido dos Trabalhadores.

Cidadãos que, em nome da democracia, pregam a segregação de indivíduos alegadamente inferiores.

Crimes hediondos sendo perpetrados, às claras, sem que ninguém se insurja contra essa degenerescência.

Estamos bem?

Política — mandatos

Finalmente, passaram as eleições.

E tudo voltou ao seu ritmo, certo?

— Errado!

Agora, querem derrubar o governo eleito pelos cidadãos.

A ‘justificativa’?

— Ora, não valeu! Estamos sob uma ditadura (que, paradoxalmente não reprime as manifestações contrárias, por mais agressivas que sejam). Não deu pra perceber?

Sinceramente, não. Como sou lento!


 

Eleições. Blargh!

Eleições!

Eleições!

Caramba!

Que loucura!

Todo mundo com os nervos à flor da pele.

Os interesses manifestos, sem nenhuma dissimulação.

E as ideologias?

Bom… essas ficam meio que de lado. O que interessa é aparentar um perfil e um alinhamento que satisfaçam as fantasias do eleitor.

Agora, todos os candidatos melhorarão os índices da Educação. Sim, os índices.

Todos combaterão a violência. E a corrupção. E a miséria.

Mas…

Será que o discurso é compatível com o currículo?

Aliás, alguns cidadãos preferem vida pregressa, especialmente quando se trata de nossos representantes. Fazer o quê?

Numa análise bem rasa, eu vejo tantas contradições que, me atrevo a dizer, a proximidade do cinco de outubro causa depressão.

É claro, porém, que, uma vez que os cidadãos de bem (ou que se consideram como tal) não se habilitam, sobra espaço para os que têm estômago.

E a vida segue!

Para os avestruzes, e para os demais bípedes.

É isso.

Nossas festas

Não sou festeiro. Não gosto de movimento, de agitação.

Prefiro curtir uma preguiça.

Fujo de festas.

Mas nos últimos dez anos a minha família realizou duas festas que, para mim, foram esplêndidas: as bodas de ouro dos velhos, e o octogésimo aniversário do seu Benedito.

Essas festas me permitiram concluir que na família há pessoas talentosas, que se decidirem podem fazer da organização de eventos a sua atividade.

Claro que sempre haverá os insatisfeitos – mas eu não ouvi nenhuma reclamação quanto às formalidades das festas de que falei.

Foram muito bem realizadas.

Contudo, deu um trabalho!

Não exatamente para mim, que sou muito desligado. (já falei isso \ o o / )

Mas minhas irmãs e sobrinhas se esgotaram durante os preparativos.

Como seria algo novo nas duas ocasiões, foi penoso não só adquirir os materiais, mas as próprias referências.

A solução passava invariavelmente em buscar ideias na internet, quase sempre sem êxito.

Daí, a decisão de que iríamos postar nossas experiências nesse blog, e onde mais for possível.

Vamos lá!

O ancião

Estava conversando com um colega, e falei da minha frustração porque não considerava estar fazendo a diferença no meu trabalho (eu comentava do meu desinteresse pelas carreiras na magistratura, e nos tribunais de contas, por não acreditar na efetividade de sua ‘função’).

Aí escutei: ‘você faz a diferença, sim. Sabe alguém como um ancião, a quem todos recorrem em busca de algum conhecimento? É assim’.

Aí eu me lembrei das aulas da faculdade de letras, do professor de inglês.

A história de uma lenda. Um conto onde o povo da região buscava o ‘messias’, que viria para dar sentido à sua existência, transformar sua realidade limitada. Esse ‘messias’ teria a silhueta muito parecida com a face de pedra (uma formação rochosa que lembra uma figura de cabeça humana).

Na história, Ernest, um nomem simples, acreditava na lenda, e buscava identificar a ‘face de pedra’ em cada empreendedor, político, religioso, ou que tais, que aparecia na região — e frequentemente se frustrava, por não conseguir identificar similaridade.

Até o dia em que apareceu um poeta, que teria declarado já de início que não era ‘a face’, e que um belo dia, sem mais nem menos, encontrou similitude entre aquela face incrustada na rocha e a silhueta do homem simples e crédulo.

Aí eu me perguntei (pergunta intimista, e temerosa): será mesmo que eu sou assim? será que, como o Ernest do conto estadunidense, eu sou ‘a referência’, no instante mesmo em que vivo a buscá-la?

E, sendo ou não, o que farei quando encontrar a tal referência? Vou conseguir reconhecê-la, ou esta passará despercebida por mim?

Será que a busca pelo referencial, pela resposta absoluta, um dia terá fim?

Me lembro da máxima popular (não tão popular assim) atribuída a Confúcio: uma jornada de mil milhas principia com o primeiro passo.

Aparentemente desanimador, a mensagem oculta nesse bordão me atingiu ao ouvir o depoimento de um humorista, em entrevista.

Contava ele que, na juventude, cumpria jornada dupla, na televisão e no circo da família.

No ambiente familiar, reclamava de não conseguir despertar o riso do público, por mais que se esforçasse.

E sempre ouvia do irmão: calma, que um dia você consegue.

Até o dia em que ele chegou bem atrasado ao circo, e não teve muito tempo para se paramentar.

Nesse dia, tudo o que ele fazia provocava risos.

E isso o deixou intrigado, pois lhe parecia que estava tudo igual ao dia anterior.

Foi quando ele percebeu: não havia pintado a cara.

O que eu penso: algum aprendizado se realiza de surpresa; mas o aprendizado profundo ocorre em momento e circunstâncias que não conseguimos delimitar, porque espontâneo, paulatino, internalizado.

Também me recordo, a respeito do alcance da competência, de um bordão que, me parece, consta de uma música mineira: mais importante que o destino é o próprio ato de caminhar.

Quer dizer que o destino é mais ali, um pouquinho mais além do que havíamos projetado? Que temos de caminhar mais um pouquinho? Todo dia e sempre?

Muito curioso.

Diferentes níveis de percepção da realidade

Semana passada, estava conversando com uma colega…

… e escutei uma história de tragédia — e de superação.

Uma colega de faculdade (e amiga) dessa (minha) colega de trabalho teve o pai assassinado na sua presença. E teve o desgosto de ver o patrimônio da família ser dilapidado pela mãe (e pelo seu novo companheiro).

Veio para Palmas, por ter sido aprovada no PROUNI (foi o que eu entendi), e foi ficando.

Concluiu a faculdade de Direito.

Foi aprovada no Exame de Ordem.

Chegou a exercer a advocacia. Contudo, optou pelo serviço público.

Hoje, é analista jurídico em um Órgão/Poder; mas não está satisfeita, especialmente porque não consegue vislumbrar a realização da função social representada pelo Órgão/Poder.

E se frustra por não conseguir imprimir o poder transformador com a energia do seu esforço físico.

Diz para minha colega que vai estudar para conseguir aprovação em outro cargo — de analista, mas agora em outro órgão/poder.

Minha colega disse, nesse interlúdio ‘laboral’, que tentou dar-lhe uma dura, tipo: ‘você já é analista, e não está satisfeita. Passar em outro cargo de analista vai deixá-la frustrada da mesma forma. Você tem que estudar para aprovação em outro tipo de cargo”.

Quando falou isso, opinou (mais ou menos assim) que:

— Puxa, eu pego no pé dela, porque eu não tenho (ao menos agora) quem pegue no meu, e isso me faz falta. Quer dizer, eu sei que tenho que estudar, e continuar estudando; mas ouvir alguém dizendo isso é diferente. Parece que o choque de realidade é outro.

É claro que eu dei os meus palpites. (Eu tenho a mania de dar palpites sobre tudo.)

Mas fiquei pensando: pode alguém saber da realidade, e precisar de alguém que lhe mostre-a? Como se o que estivesse vendo não fosse exatamente a realidade, ainda que tivesse o mesmo contorno que a ‘desconhecida’?

Parece-me que sim.

Esse jogo de palavras — e de ideias — me faz lembrar a Alegoria da Caverna (de Platão?).

Pois bem:

Nesse contexto, como explicar que alguém tenha consciência de que o panorama que consegue ver não é panorama nenhum, mas simplesmente a projeção borrada do panorama, ou de uma outra projeção borrada do panorama?

Como, numa hipótese análoga, definir que alguém com esse nível de percepção ainda esteja dentro da caverna?

O duro é que isso faz todo o sentido para mim. (E, ah, eu estou no sexto subsolo da caverna! Tenho certeza!)

(Continua?)

Sofrendo com a Oi

Muito estresse!

A Oi me oferece um novo plano (“pacote”), garantindo que, aderindo a esse, eu pagaria menos do que vinha pagando.

A vendedora sabia quanto era a média dos meus gastos.

A ‘economia’ seria em torno de dez por cento.

E poderia fazer um upgrade na banda larga (muito estreita — que, ao fim a ao cabo, não se concretizou, por limitações técnicas da própria distribuidora/operadora), acrescentar um celular — ou até dois.

Eu, confiante, falei que não ia cadastrar o meu celular (ainda Brasil Telecom), mas que poderiam me enviar um chip — só um.

O que aconteceu?

– Recebi dois chips.

– Recebi duas faturas em um período inferior a três dias – valores muito parecidos.

Resultado: paguei uma, pois estava convicto de que tinham faturado em duplicata.

Mas não era bem assim. O que houve foi que recebi a fatura do plano antigo, referente a trinta dias, e a fatura referente a vinte dias de uso do novo plano.

Ou seja, em vez de uma economia de dez por cento, houve um acréscimo de trinta e três por cento.

Reclamei, argumentando que não estava certo. Disse que me haviam oferecido um serviço, e entregue outro.

Exigi que fosse feita a retificação. A isso, a atendente rebateu dizendo que não havia esta opção; havia, entretanto, a migração.

Cansado, eu concordei com a tal migração. Mas exigi que se registrasse uma observação, de que a tal migração ocorria porque me haviam entregue um produto que eu não havia contratado.

E dai? Foi-me cobrada uma muita.

Continuei com as reclamações. Os valores cobrados não refletiam o plano que me haviam oferecido, e a multa não procedia, pois o que houve foi uma retificação, e não uma migração de plano.

Depois de tanto desgaste, veio a resposta, depois de eu ligar estressado para o 10314: estava tudo certo com a minha conta e com o meu plano; minhas reclamações não procediam.

Então, eu requisitei as gravações de todos os QUINZE protocolos abertos, e mais da ligação em que a vendedora me oferecia a mudança de plano.

Garantiram-me que eu teria essas gravações em dez dias, que se passaram se nenhum retorno.

Finalmente, depois de eu ligar reclamando o envio das gravações, me foi informado que essas ligações não haviam sido localizadas. Como assim??

Então, aquela xaropada, de que ‘para sua segurança a conversa será gravada, e você pode solicitar a gravação’ é conversa mole pra boi dormir?

Tudo indica que sim.

Daí eu fui ao Procon, onde minha história foi considerada muito confusa – e eu penso a mesma coisa.

Porém, o técnico obteve o que eu não consegui em quatro meses de estresse: disse, taxativamente, que o cliente desejava voltar para o plano que havia contratado originalmente com a operadora, ou com outro plano de características semelhantes, caso não fosse possível a pretensão inicial.

Ainda assim, a situação não foi resolvida nos cinco dias estabelecidos. Passados seis dias úteis, ligaram em casa e informaram a minha mão que havia sido atendida minha solicitação. E eu não sei ainda sob quais condições.

Por exemplo, quais os débitos que eu realmente tenho que pagar.

Mas fica a lição, ou aliás, as lições: salvo melhor juízo, nenhuma proposta vem para nosso benefício, havendo sempre que nos concentrarmos nas letras miúdas; e nossa voz como consumidor não tem o mesmo peso que a dos órgãos e associações de proteção.

Então, não há espaço para hesitações: abuso? Procon!